Autocrítica

Autocrítica e Auto-calmante

Stan, o CEO aposentado de uma empresa da Fortune 500, bate na raquete no chão e grita: “Seu idiota!” Barbara, que fez uma fortuna em imóveis comerciais, gritou: “O que há de errado com você?” E Karen, que era uma empreendedora de sucesso, grita: “Garota idiota!” Sempre achei que as reações das pessoas aos erros cometidos na quadra de tênis permitiam vislumbrar sua infância. Estas são as vozes que eles internalizaram como jovens e agora usam em si mesmos. Mas algumas pessoas se tranquilizam, dizendo coisas como: “Ok, isso foi ruim, fique de olho na bola”.

O que diferencia Stan, Barbara e Karen das pessoas que podem se tranquilizar quando cometem um erro? Do ponto de vista psicanalítico, a voz crítica é chamada de “introjeto”. A introjeção ocorre quando uma pessoa internaliza as idéias ou vozes de outras pessoas. As outras pessoas geralmente são pais, avós ou professores. Se aqueles outros importantes foram críticos e críticos, a voz interior é crítica. Em todas as teorias de relações objetais, o objeto externo é transformado em uma imagem interna ou “objeto”. Se esse “objeto” não estiver totalmente internalizado, ele é chamado de “introjeto”. Os objetos são lúteis e se projetam facilmente em outras pessoas. Eles saem em psicoterapia na forma de “shoulds” (por exemplo, “você acha que eu deveria …”). Se, por outro lado, as vozes de nossos outros significativos foram favoráveis, elas se tornam identificações e somos capazes de nos consolar quando ficamos aquém ou cometemos um erro. As explosões na quadra de tênis oferecem uma janela para as introjeções dos jogadores.

Como você transforma introjetos em vozes auto-suaves? O psicanalista e o behaviorista cognitivo adotam duas abordagens muito diferentes.

Em seu artigo Psychology Today (abril de 2019), “Silencie seu Crítico Interno”, diz Jena Pincott, “A melhor intervenção pode ser a de responder às suas queixas de uma perspectiva imparcial – quase como se você fosse outra pessoa. Essa técnica -distanciamento é cada vez mais utilizado na terapia cognitivo-comportamental “. O método envolve a substituição do pronome de primeira pessoa por um pronome de terceira pessoa ao falar consigo mesmo. Por exemplo, “Karen, isso foi apenas um bom tiro. Não é sua culpa que você não possa devolvê-lo.” A teoria é que o auto-distanciamento permite que alguém responda como se estivesse acontecendo com outra pessoa.

A perspectiva psicanalítica, por outro lado, vê o problema como mais complexo – os introjetos refletem um déficit de desenvolvimento. Introjeções negativas impedem o desenvolvimento de um núcleo sólido. Lutar com uma voz autocrítica desagradável e ser atormentado com “deveres” impede o desenvolvimento de valores totalmente internalizados e a capacidade de tolerar não viver de acordo com eles ocasionalmente (ou seja, erros, decepções e fracassos). E, quando a estrutura psíquica de uma pessoa está no nível introjetivo, as introjetas não são apenas ativadas por si mesmas, mas também projetadas em outras.

Do ponto de vista psicanalítico, o pensamento racional não é suficiente para se livrar de introjeções – requer psicanálise. Por quê? Na psicanálise, as introjeções negativas são projetadas no analista na transferência. Através do processo de análise da transferência, o paciente é capaz de dissolver os introjetos e identificar-se com uma nova voz interna de apoio – a do analista.


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